APOLO Atlas — Memo de Investimento: Ventos de São Vicente 13
Confidencial — Circulação Restrita ao Comitê de Investimento APOLO Data de emissão: 08 de maio de 2026 CEG: EOL.CV.PI.033139-2.1 | UF: Piauí | Tipo: Eólico | Potência: 29,4 MW | Rank Atlas: #13
Sumário Executivo
Ventos de São Vicente 13 figura entre os Top-15 candidatos do universo Atlas com score 8,2/10,0, sustentado por curtailment histórico de 30,92% e beta de 0,9 — perfil que viabiliza operação BESS como lastro de firmeza no regime CCEAR-Quantidade. A recomendação default é arrendamento da subestação (lease), com CAPEX APOLO de R$ 35,3 M para 14,7 MW de BESS, TIR alvo de 13% real e Pdisp break-even de R$ 401,6 mil/MW.ano. O risco-chave é a decisão da ANEEL sobre MUST compartilhado multi-CNPJ, com prazo hard em 31/12/2026, que condiciona a legalidade da estrutura preferencial.
Score & Componentes
Score Total Atlas: 8,20 / 10,00
| Componente | Peso | Raw | Normalizado | Contribuição | |---|---:|---|---:|---:| | Curtailment (ONS oneline) | 25% | 30,92% | 1,00 | 0,250 | | Beta (β multiplier) | 20% | 0,90 | 1,00 | 0,200 | | Regime Contratual (CCEAR) | 15% | CCEAR-Q | 0,70 | 0,105 | | SE Infra | 15% | n.d. | 0,50 | 0,075 | | TUSD-G | 10% | R$ 17,40/MWh | 0,90 | 0,090 | | Top-30 Proximidade | 10% | 4,54 km | 1,00 | 0,100 | | Owner Distress | 5% | n.d. | 0,00 | 0,000 | | Total | 100% | | | 8,200 |
Destaques analíticos:
- Curtailment 30,92% (máximo da escala normalizada): gerador experimenta restrições severas de despacho — oportunidade direta para BESS capturar energia curtailada e monetizá-la via LRCAP.
- Beta 0,9 (máximo normalizado): geração eólica localmente correlacionada com demanda de pico — perfil favorável à firmeza de capacidade remunerada.
- SE Infra n.d. → normalizado 0,5: ausência de dados de infraestrutura da subestação é gap operacional a resolver em due diligence (G1/RIES).
- Barramento PI_CURRAL_NOVO_DO_PIAUI_II_500KV (rank Top-30: #9): nó de alto valor para APOLO, com distância de 4,54 km — integração física trivial.
- Owner Distress n.d. → contribuição zero: incapacidade de aferir pressão financeira do proprietário eleva incerteza de negociação; não penaliza o score intrínseco do ativo.
Owner & Estrutura Recomendada
Proprietário identificado: VENTOS DE SÃO ADEODATO ENERGIAS RENOVÁVEIS S.A. (PIE) — 100%
Grupo econômico: Não resolvido (confiança: baixa). A razão social sugere pertencimento ao guarda-chuva "Ventos de São Adeodato", porém sem confirmação societária via Junta Comercial do Piauí ou CNPJ controlador. Até resolução, tratar como entidade independente.
Tier: 3 — Independente local (SPE PIE sem grupo econômico corporativo verificado)
Perfil de motivação: Proprietário PIE puro, com incentivo financeiro para monetizar ativos de conexão subutilizados pelo curtailment crônico. Ausência de grupo econômico reduz alavancagem de negociação cross-asset, mas simplifica a cadeia decisória: interlocução direta com o controlador da SPE, sem aprovações de comitê corporativo amplo.
Estrutura recomendada: Arrendamento da SE (lease puro)
O arrendamento é preferencial porque: (i) BESS opera como ativo autônomo APOLO, sem diluição de retorno por participação do host; (ii) aluguel-piso fixo cobre a infraestrutura cedida e isola o gerador do risco operacional do BESS; (iii) velocidade de close estimada em 8 meses — compatível com janela regulatória ANEEL 2026; (iv) CAPEX 100% APOLO elimina risco de governança de SPE conjunta.
Tese de Investimento
| Estrutura | Fit% | CAPEX APOLO/MW | Close (meses) | Recomendado | |---|---:|---:|---:|:---:| | Arrendamento SE (lease) | 85% | R$ 2.400 mil | 8 | Sim | | Joint Venture SPE conjunta | 58% | R$ 1.224 mil (51%) | 14 | Não | | Aquisição BESS-only pós-COD | 42% | R$ 3.000 mil | 24 | Não |
Cenário recomendado — Arrendamento da SE:
O arrendamento captura o barramento #9 do Top-30 APOLO a 4,54 km da infraestrutura existente, co-localizando 14,7 MW de BESS em ponto de curtailment de 30,92% — o que maximiza horas de carregamento a custo marginal próximo de zero. O CCEAR-Quantidade do gerador host provê sinal de preço de R$ 182,42/MWh como referência de mercado local, enquanto a Receita Fixa LRCAP remunera o BESS independentemente do despacho eólico. O contrato de arrendamento fixará remuneração ao host como percentual da Receita Fixa, com floor mínimo e step-up indexado ao IPCA, alinhando incentivos sem transferir controle do BESS. A JV é fallback exclusivo se a ANEEL formalizar exigência de CNPJ único para MUST compartilhado (G4). A aquisição pós-COD é contingente a sinalização explícita de venda pelo owner — não há evidência de distress que a justifique no momento.
Financeiro Preliminar
- BESS dimensionado: 14,7 MW (50% da potência instalada de 29,4 MW)
- CAPEX APOLO total: R$ 35,3 M (R$ 2.400 mil/MW × 14,7 MW)
- Pdisp break-even @ 13% IRR real: R$ 401,6 mil/MW.ano
- Componentes: anuidade de capital (fator 0,1424 × R$ 2.400 mil/MW) + OPEX (R$ 60,0 mil/MW.ano) = R$ 401,8 mil/MW.ano
- Vida útil assumida: 20 anos | WACC real: 13% a.a.
Comparação — Âncora Regulatória:
| | Sol de Brotas 7 (Statkraft) | Ventos de São Vicente 13 | |---|---|---| | UF | Bahia | Piauí | | Capacidade BESS | 1 MW / 5 MWh | 14,7 MW (sizing APOLO) | | Aprovação ANEEL | Abril/2026 | Pendente | | Relevância APOLO | Precedente de co-localização aprovado | Escala comercial |
Sol de Brotas 7 estabelece o precedente legal de BESS co-localizado com renovável no Brasil. Ventos de São Vicente 13 replica a estrutura em escala 14,7× superior — requerendo validação regulatória incremental, não pioneirismo.
Caveat de Fase: Estimativas financeiras em Phase 2 (Atlas screening). Refinamento com capex-engine M15 e bid-engine M16 previsto para Phase 3 — outputs finais de TIR sensibilizada, curva de Pdisp e estrutura tarifária LRCAP.
Gates Regulatórios
| Gate | Descrição | Status | Nota Operacional | |---|---|:---:|---| | G1 | MUST disponível na LT a montante (≥ 50 MW) | Amarelo | Score ≥ 7 sugere folga no barramento, mas exige parecer RIES ONS formal pré-investimento. | | G2 | CCEAR/PPA permite uso adicional da SE | Desconhecido | Due diligence contratual obrigatória — cláusulas de exclusividade podem vedar co-uso. | | G3 | BNDES Project Finance — termo de não-objeção | Desconhecido | Verificar existência de financiamento BNDES ativo na SPE; prazo padrão D+90 para NOC. | | G4 | ANEEL: MUST compartilhado / multi-CNPJ permitido | Amarelo | Portaria MME 878/2025 sinaliza positivo; decisão vinculante ANEEL prevista até 31/12/2026. | | G5 | Tributação clara (PIS/COFINS + ICMS estadual PI) | Desconhecido | Consulta Sefaz-PI e RFB necessária; Piauí tem histórico de divergência na base de ICMS energia. | | G6 | TIR ≥ 13% real com Receita Fixa LRCAP | Desconhecido | Condicionado ao output de M15 (capex-engine) + M16 (bid-engine) em Phase 3. | | G7 | Plano B: LT alternativa mapeada se host desiste | Desconhecido | Term sheet deve incluir long-stop date de 12 meses e fallback de barramento Atlas pré-qualificado. |
Riscos
1. Risco Regulatório — ANEEL G4 (Alta Severidade) A estrutura de arrendamento depende criticamente da legalidade de MUST compartilhado com CNPJs distintos. A decisão ANEEL tem prazo hard em 31/12/2026. Caso o regulador exija CNPJ único, a estrutura migra compulsoriamente para JV — aumentando CAPEX total, adicionando 6 meses de close e introduzindo riscos de governança. Mitigante: monitoramento mensal do processo ANEEL + estrutura contratual com cláusula de conversão automática para JV.
2. Risco de Deal — Cláusula Change-of-Control (Média Severidade) A SPE VENTOS DE SÃO ADEODATO ENERGIAS RENOVÁVEIS S.A. pode ter cláusulas de mudança de controle em contratos de financiamento (BNDES) ou no próprio CCEAR que se ativam com o arrendamento. Mitigante: due diligence G2+G3 via Mattos Filho/Cescon antes de qualquer term sheet vinculante.
3. Risco de Execução — Owner Tier 3 sem Grupo Econômico Identificado (Baixa-Média Severidade) Sem grupo econômico verificado, a negociação ocorre diretamente com os sócios da SPE, cuja capacidade decisória, assessoria jurídica e sofisticação contratual são desconhecidas. Risco de negociação prolongada, revisão unilateral de termos ou ausência de contrapartes para execução de garantias. Mitigante: identificação dos sócios finais via Junta Comercial do PI em D+15 e avaliação de solidez societária antes de avançar para term sheet.
Próximas Ações
| # | Ação | Owner Sugerido | Timeline | |---|---|---|---| | 1 | Identificar sócios finais e controlador econômico da SPE via Junta Comercial PI + Receita Federal (CNPJ raiz) | Jurídico Cescon Barrieu | D+15 | | 2 | Solicitar parecer RIES ONS de folga de MUST no barramento PI_CURRAL_NOVO_DO_PIAUI_II_500KV (G1) | Engenharia APOLO / RIES ONS | D+30 | | 3 | Due diligence contratual CCEAR e financiamento BNDES — verificar cláusulas de exclusividade (G2) e NOC BNDES (G3) | Jurídico Mattos Filho | D+45 | | 4 | Consulta tributária Sefaz-PI sobre base de cálculo ICMS energia armazenada (G5) | Tributário APOLO + Sefaz-PI | D+45 | | 5 | Rodar Phase 3: capex-engine M15 + bid-engine M16 para TIR sensibilizada e estrutura de Pdisp LRCAP (G6) | Quant APOLO | D+60 |
Memo gerado por APOLO Atlas — Thesis Engine v1.0.0-track-g-mvp. Aprovação de Phase 3 e vinculação contratual condicionadas a gates G1–G7.